MULHER
NEGRA BRASILEIRA:
RESISTÊNCIA,
CORAGEM E LUTA PELO TRABALHO EM TODAS CATEGORIAS!
ACESSO À EDUCAÇÃO
ATÉ A UNIVERSIDADE! SALÁRIO IGUAL PARA TRABALHO IGUAL!
O Quilombo de
Palmares (1630-1694) teve como uma de suas fundadoras a negra
Aqualtune. Filha do Rei do Congo na África, comandou um
exército de 10 mil guerreiros para defender o reino. Vendida
como escrava fugiu e fundou Palmares com outros companheiros.
Zumbi era seu neto. Dandara outra das guerreiras de Palmares,
após a derrota, preferiu suicidar-se a voltar a ser escrava.
Filipa de Aranha liderou um Quilombo no Pará. Teresa de
Quariterê liderou por duas décadas o Quilombo de Quariterê em
Minas Gerais, Zerafina comandou o levante do Quilombo do Urubu
(Bahia). Luísa Mahin, negra livre durante o regime escravista, participou
da Revolta dos Malês.
Toda
a luta anti-escravista foi marcada pela presença da mulher negra.
Lideranças de quilombos ou apenas mães, irmãs, tias, avós,
companheiras de grandes líderes ou não transmitiram destemor para
as gerações que lutaram por quase 400 anos para festejar a
Abolição nas ruas de todo o Brasil no dia 13 de maio. Gerações
que foram cada vez mais se misturando e criando esta raça, graça
e energia brasileira para a luta e para as alegres comemorações
que as vitórias trazem.
Nos anos mais
próximos da grande vitória uma afro-descendente, filha de mulata
e branco militar, Chiquinha Gonzaga, foi destaque na fundação e
organização das atividades da Confederação Abolicionista.
Fundada em 1883 por José do Patrocínio, André Rebouças e outros
descendentes, a Confederação uniu a força de todos os homens e
mulheres, negros, mulatos, brancos sem qualquer descendência
negra; republicanos ou monarquistas e, acima de tudo,
simplesmente abolicionistas para colocar abaixo a escravidão.
Esta vitória histórica abriu espaço para o Brasil da Revolução
de
1930 comandada por Getulio, na qual começamos a fincar em
nosso solo, a estrutura para a industrialização e soberania que, ainda
hoje, os oligopólios financeiros e industriais, representados
por desgovernos como o de BUSH, dos EUA, tentam impedir. A
vocação destes parasitas de hoje é a mesma dos colonialistas e
escravistas de ontem: sugar a força de trabalho dos seres
humanos e as riquezas dos países.
Chiquinha,
primeira compositora e maestrina brasileira, vendia suas
músicas de porta em porta, criava seus cinco filhos e doava os
recursos para a alforria de escravos. Uma de suas mais belas
músicas"Caramuru" contribuiu para libertar José da Flauta que
considerava um dos melhores instrumentistas do Rio de Janeiro.
Sua marcha carnavalesca "Ô Abre Alas", também a primeira do
Brasil, parece anunciar que persistiremos abrindo e criando os caminhos
para libertar o Brasil dos grilhões que negam ao nosso país, seu
direito a ser uma Nação desenvolvida produzindo na tecnologia, na
industria e na agricultura para o beneficio dos seus 184
milhões de filhos e filhas e ainda sendo solidário com os demais
povos que batalham para transformar a mesma realidade de
dependência econômica.
Nossa identidade
brasileira é povoada da miscegenação de corpo, alma e luta.
Nesta formação as
mulheres negras cumpriram e cumprem papel de importância
inegável. Os sambas de Tia Ciata, os Tambores de Crioula e de
Mina, as Rainhas das Congadas, as Rezadeiras, as Parteiras, as
Benzedeiras formam um universo de reunião, união, resistência e
tradição que globalização nenhuma consegue apagar.
As mulheres
afrodescendentes brasileiras são 46 milhões da população
feminina do Brasil que alcança 95 milhões (IBGE - 2005-2006).
Enfrentando discriminações e denunciando com firmeza os
preconceitos, estão cada vez mais organizadas, somando-se às
demais mulheres e homens de nossa luta, para derrubar os índices
de analfabetismo, semi-analfabetismo, baixa escolaridade, baixa
profissionalização e salários que as atingem com maior
brutalidade.
Não faz muito
tempo. Em 1980, apenas 1.757 mulheres negras ganhavam mais de 20
salários mínimos em 4 milhões de trabalhadoras negras. Segundo
dados da UNIFEM - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas
para a Mulher - o salário das brasileiras é em média 30%
inferior ao do homem e chega a ser 61% se for uma trabalhadora
negra. Nas 500 maiores empresas brasileiras, 58% não possuem
mulheres em cargos de direção e só 9% ocupam cargos executivos.
Apenas 0,1% desses cargos são ocupados por mulheres negras.
As mulheres negras
são 70% das trabalhadoras domésticas, uma das profissões que
teve seu direito a carteira assinada conquistado mais
tardiamente e infelizmente só é reconhecido para apenas 25% da
categoria. Nossa luta é pelos equipamentos sociais públicos:
lavanderias, restaurantes, creches que possam proporcionar às
mulheres o direito ao trabalho em todas as categorias da
economia e em especial na produção industrial, com melhores
salários e liberdade do isolamento doméstico e da servidão que
ainda permeia esta atividade.
Nos últimos 5 anos,
crescemos as conquistas de políticas para as mulheres e
construímos ações voltadas a enfrentar o analfabetismo. A
hipertensão, diabetes, anemia falciforme que atinge mais as
mulheres negras estão tendo atenção especial no pré-natal. Os
índices de mortalidade materna foram estacionados e isto já é um
grande avanço. A mortalidade infantil está sendo derrubada e o
índice de cobertura de exames no pré-natal passou de 22% em 2000
para 76% em 2005. Mães e crianças negras também estão recebendo
maior atenção nas ações de saúde.
Conquistas
como a titularidade da terra e créditos para as agricultoras
alcançaram milhares de companheiras negras e fortalecem a luta
para que em um dia não muito distante possamos ter alegria total
nas ruas ao comemorarmos a superação das desigualdades que ainda
enfrentamos. A escravidão deixou heranças malditas e a Nação
brasileira está disposta a reconhecê-las e transformá-las. Este
é o desejo avassalador da maioria. Não estamos mais dispostos a
ser o maior país negro fora da África, com 45,33% de nossa
população negra ocupando apenas 1% dos bancos das universidades.
As cotas nas universidades tem derrubado os argumentos dos
resistentes que se iludem com a conversa de que a "oportunidade
é igual para todos e só não ocupa quem não quer ou não se
esforça". Isto é lenga-lenga deste sistema econômico
monopolizado baseado na exploração de muitos por poucos. A
execução da Lei 10.639/03 fortalecerá a auto-estima não só dos
afro-brasileiros mas de todos nós.

VIVA AS
MULHERES NEGRAS E SUA GARRA E GRAÇA! VIVA O IV CONGRESSO
DO CNAB! VIVA O 25 DE JULHO, DIA INTERNACIONAL DA MULHER
NEGRA E CARIBENHA!
Confederação das Mulheres do Brasil