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Licença -
Maternidade de 6 meses é investimento no Brasil
Mediante sancionamento do Presidente Lula de proposta aprovada pelo
Congresso Nacional, que regulamenta a LICENÇA-MATERNIDADE para seis
meses, a Confederação das Mulheres do Brasil - CMB vem de público fazer
as seguintes considerações:
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Saímos de um déficit social crônico e de um período de acirramento
da concentração da renda que levou milhões de brasileiros e
brasileiras ao desespero da fome.
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Estamos no caminho do Desenvolvimento que interessa a todos.
Interessa aos homens e às mulheres, mas interessa particularmente
àqueles que têm menos, que são mais discriminados, que tem menos
oportunidades. Quanto mais desenvolvimento, maior a possibilidade de
superação das desigualdades.
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Para o Brasil garantir que todas as necessidades do seu povo sejam
atendidas, é necessário acionar todo o seu potencial humano, com
homens e mulheres na produção e na luta em defesa da soberania.
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É preciso reduzir os juros que
sangram a riqueza produzida e emancipar nosso país da dependência
tecnológica, retomando o crescimento via o fortalecimento de nosso
parque industrial devastado ou açambarcado pelos monopólios externos.
Estes são os REAIS CUSTOS que precisamos derrotar e derrotaremos.
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A
LICENÇA-MATERNIDADE de seis meses é direito humano de mães, pais e
seus filhos. Assim como a LICENÇA – PATERNIDADE e quanto a esta
também deve ser aumentada. Estamos orgulhosas de nosso Presidente
Lula por sancionar a Lei aprovada pelo Congresso Nacional.
Orgulhosas e agradecidas a todos(as) que não se deixaram contaminar
com as acusações que fazem à maternidade como fator de dificuldade
para a mulher ocupar espaço no mundo do trabalho com igualdade.
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Segundo estudos de Laís Abramo, Coordenadora da OIT no Brasil, o
custo da atual licença maternidade não chega a atingir 1.2% anuais (Questionando
um mito: custos do trabalho de homens e mulheres).
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Quanto pagamos anualmente de juros só com a dívida pública? Nos 12
meses encerrados em novembro passado, pagamos R$ 128,61 bilhões
beneficiando 20.000 felizardos. A dívida pública federal interna em
títulos públicos voltou a subir em junho, puxada pelo efeito da alta
de juros realizada por Meirelles. O valor chegou a R$ 1.247 trilhão
no final do primeiro semestre, uma alta de 0,62% em relação a maio.
O impacto foi de R$13.9 bilhões em um único mês, entretanto estão
fazendo um alarde geral com os R$ 800 milhões previstos que apenas
e, por enquanto, cerca de 200 empresas descontarão no Imposto de
Renda para beneficiar suas trabalhadoras. Lutaremos para que a
licença maternidade de seis meses seja obrigatória em curto espaço
de tempo e possa beneficiar milhões de brasileiras e suas famílias.
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Não se escandalizam com o que é gasto com juros? No mínimo há uma
troca de valores. Os juros não são considerados gastos. Consideram
correto pagá-los e sustentarmos parasitas portanto é INVESTIMENTO.
Gastar com a Licença-Maternidade de seis meses “não é correto e será
dinheiro jogado fora”. E se dizem preocupados com o melhor caminho
para apoiar de fato as mulheres. São porta-vozes das teorias que
defendem não ser mãe. Este seria o caminho da mulher para ocupar
espaço no trabalho. E ainda dizem defender os direitos reprodutivos
da mulher e sua “autonomia” de decisão sobre eles!
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Queremos também que as creches e auxílio-creche sejam suficientes e
extensivas ao pai, quando responsável único pelo rendimento da
família. O pai não ter este direito agrava ainda mais as condições
para a mulher ter acesso ao trabalho e ao estudo. Queremos mais e
melhores salários. Queremos mais e melhores empregos com carteira
assinada e direitos garantidos. Somos a maioria da força de trabalho
ainda na informalidade. A luta nos trouxe para a era do “QUEREMOS”.
Derrotamos a era das flexibilizações e ajustes. Na verdade a era de
assalto aos direitos. Este ano comemoramos 60 anos da Declaração
Universal dos Direitos Humanos cuja essência é a negação da
exploração da maioria por poucos que já perderam sua “humanidade”
pois apenas visam o lucro.
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Desigualdades de gênero no trabalho representam um peso para toda
sociedade. Não só para as mulheres. A participação das mulheres na produção
em todas as categorias, sem discriminações, resultará em aumento do
crescimento econômico, assim como aumento da redução da pobreza e da
desigualdade econômica para todos.
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Uma grande nação conta com três pilares: Seu território, as
riquezas de seu território e seu povo para desenvolver e defender o
país. Ao Estado cabe garantir as estruturas coletivas, creches
em período integral, escolas, universidades e saúde para todos.
Assim ampliaremos ainda mais a participação da mulher e
fortaleceremos nosso povo.
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Esta luta não é só das mulheres. Trabalhamos para promover a união e
consciência de que os direitos pelos quais as mulheres se organizam
são direitos usurpados a título de discriminações e preconceitos
abomináveis. É dever e interesse do Estado proteger e investir nas
suas futuras gerações. Foi para isso que lutamos tanto e derrotamos
o neoliberalismo entreguista. Aqueles que não querem o Estado
liberto dos custos dos juros e superávits que nos são impostos, pela
subserviência à ganância externa, tentam fazer crer que a
licença-maternidade é um custo que o “mercado e a economia” não
suportarão. Referem-se ao “mercado” como se esse sim tivesse
sentimentos e não a trabalhadora que deseja amamentar seus filhos
durante seis meses e não pode porque só tem 4 meses de
licença-maternidade. O aleitamento materno é saúde, proteção e
segurança que os filhos e filhas de todas as brasileiras precisam
ter acesso até os seis meses. A grande maioria não tem por depender
de mais dois meses da licença-maternidade. Está provado que seis
meses é o mínimo. Sabemos que o melhor é por um ano. Porque as
crianças brasileiras não tem direito a esta primeira e essencial
SEGURANÇA ALIMENTAR? Isso não tem preço!
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Tentam confundir as próprias trabalhadoras para que não lutem pelos
seus direitos! Ameaçam-nas alegando que haverá menos empregos, menos
cargos de chefia e mais salários desiguais para as mulheres. Não
permitiremos que isso aconteça. Fortalecendo a união conquistaremos
o que é justo e necessário para todos.
Viva
a Licença-Maternidade de 6 meses!
Vamos conquistá-la inteiramente obrigatória em pouco tempo!
São Paulo, 20 de Agosto de 2008
Confederação
das Mulheres do Brasil |