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A verdadeira crise dos alimentos
Do último ano pra cá,
o preço dos alimentos básicos, principalmente o milho, o arroz e o trigo
duplicaram. Nesta última semana a cesta básica atingiu 29% de aumento
segundo a mídia que também está alardeando a volta da inflação. O povo
brasileiro, chinês, russo e indiano está sendo acusado de ser o culpado
desta alta de preço por estar comendo mais. Assim, a maioria precisa
comer sempre menos ou nada, para uma minoria comer bem e sem aumento de
preços.
Nosso país é um dos
poucos a conquistar vitória contra a fome. Já em seu primeiro mandato, o
Presidente LULA declarou que "Nossa
guerra é contra a fome" quando Bush pressionou o Brasil
para dar apoio à insana invasão do Iraque que matou e mata milhares de
iraquianos, norte-americanos e crianças iraquianas pelas armas e de fome.
Com o investimento no Programa Bolsa Família a tortura da fome no dia a
dia foi resolvida para 44 milhões de brasileiros. A "oposição" interna
recuou dos reclamos contra o aumento de 8% do Bolsa Família anunciado
semana passada. Não é ajuizado em ano de eleições municipais deixar tão
claro aos eleitores que pouco se preocupam se este aumento melhorará
ainda mais a nutrição de milhões de pessoas. Prosseguem as acusações
internas e externas contra o Brasil. Seríamos nós os culpados da crise
de alimentos pois, conquistamos a tecnologia dos biocombustíveis e com o
etanol, fabricado através da cana de açúcar, estamos deixando de plantar
alimentos. Além de ser mentira é uma afirmação hipócrita quando temos os
vizinhos do norte fabricando etanol via o plantio de milho.
Respondemos com o
lançamento do Plano de Safra Agrícola e Pecuário 2008/2009 que investirá
R$65 bilhões na agricultura empresarial; 13$ bilhões na agricultura
familiar e R$ 3.8 bilhões para aumentar os estoques do governo (medida
preventiva contra o aumento da inflação que é uma das menores do mundo
e esta dentro da meta). Nossa área de plantio aumenta a cada safra e as
142,6 milhões de toneladas de grãos desta colheita aumentará de 5 a 6%
só com os novos investimentos na agricultura empresarial.
Sabemos que a oferta
continua sendo superior á demanda. Infelizmente, mesmo parte da
população de alguns países ter conquistado o direito básico de comer,
saga da humanidade a 40 mil anos, desde 1961 a produção mundial de
cereais triplicou enquanto que a população duplicou. Ninguém está
comendo demais. Como existem no mundo cerca de 870 milhões de pessoas
que, literalmente, morrem de fome, seria necessário demonstrar que as
outras passaram a ter indigestão de tanto comer – pois existem no mundo
alimentos suficientes para acabar com a fome; o problema jamais foi a
escassez da produção, então, por quê o aumento dos preços?
A crise atual
deve-se, no essencial, á escalada internacional das cotações do
petróleo, alimentos e commodities. Chegam a ponto de inventar uma
Bolsa de Mercados e Futuros que o próprio nome - futuros- já diz o
quanto é fictícia.
Os preços do petróleo
que aumentam ainda mais os preços dos alimentos são estabelecidos com
base em quanto o especulador quer ganhar daqui a uma semana, um mês,
etc. É a forma injusta e monopolizada de concentração de riquezas e
distribuição da pobreza praticada pela política imperialista que tem na
parasitagem do trabalho, das riquezas dos outros e das guerras a sua
essência.
A abertura comercial
com o benefício da remoção de barreiras alfandegárias permitiu que os
países ricos, principalmente os Estados Unidos, inundassem os mercados
das nações em desenvolvimento, com os seus produtos agrícolas, altamente
subsidiados e a preços artificialmente baixos. Condicionar empréstimos à
eliminação da intervenção governamental aos pequenos e médios
produtores, norma ditada pelo Fundo Monetário Internacional e o FMI ,
concentrou o poder econômico nas mãos de alguns grupos corporativos
gigantes o que também propiciou a especulação. Isso explica como a
monopolização do mercado de grãos por apenas três multinacionais
norte-americanas - Bunge, ADM e Cargill – conseguiu catapultar o preço
mundial dos alimentos básicos em 45% nos últimos 9 meses.
Citamos os grãos. Mas
a mesma coisa é verdade para os laticínios, para a carne e até para os
pescados – e, quanto às sementes, apenas uma companhia, a Monsanto,
monopoliza o mercado mundial.
Portanto, não é um
fenômeno que os preços dos alimentos tenham, segundo a FAO, aumentado em
média 45% nos últimos nove meses, com alguns deles passando de 80%, e,
ainda, com coisas incríveis acontecendo (o arroz, depois de 29 anos com
preços internacionais estáveis, aumentou 50% em duas semanas). O trigo,
em um ano, aumentou 130% e a soja, 87%.
Esse aumento nada tem
a ver com um aumento do consumo de alimentos; vejamos a Rússia, um dos
supostos culpados por comer demais e, como suposta consequência, pelo
aumento dos preços. Seria necessário demonstrar que hoje se come mais do
que na época da URSS. Porém, hoje, diferente de antes, há quem esteja
passando fome na Rússia.
Mesmo considerando a
China, país em que o consumo de alimentos realmente aumentou, não há
nenhuma epidemia de voracidade no mundo que possa explicar o atual
aumento das chamadas “commodities” agrícolas. Mas há, sim, especulação,
sobrepreços impostos por monopólios com sede nas matrizes imperialistas.
Também não é a
produção de etanol que está causando esse aumento de preços. Apenas dois
países produzem a maior parte do etanol no mundo: o Brasil, onde é
evidente que a cana de açúcar não substituiu outros cultivos ou pastos
do gado; e os EUA, onde, apesar dos pesados subsídios do governo
americano, não há notícia de escassez de milho para alimentação.
A FAO alerta que aos
870 milhões de pessoas que morrem de fome, outras 850 milhões podem se
juntar pois encontram-se ameaçadas: a cada ponto percentual que sobe o
índice mundial dos preços, mais 16 milhões de pessoas se somam às cifras
macabras da fome e da desnutrição.
Temos orgulho de
nossa luta e de nosso país que está garantindo os maiores investimentos
públicos dos últimos 8 anos. Depois de mais de uma década, com as
condições de vida do povo se deteriorando passamos a tratar os recursos
para saúde, educação, moradia não como
gastos e sim como
investimento.
Temos resistido ás pressões de setores cada vez mais isolados que, na
verdade, são saudosos da política neoliberal e teimam em querer arrancar
do povo direitos consagrados desde o governo Getulio Vargas até a
histórica Constituição de 88 e ainda teimam em manter o Brasil
praticando um dos maiores juros do mundo. A unidade tem se ampliado. Em
torno de propostas discutidas com a sociedade civil e as Centrais
Sindicais, o governo tem mantido firme a política voltada para o
crescimento do país e sua economia e garantido, a cada trimestre, a
continuidade do aumento dos emprêgos com carteira assinada, com direitos.
Na grande SP, maior
área industrial do país, o índice de desemprego é o menor dos últimos 13
anos: 14,2%. De 2002 a 2006, nos primeiros quatro anos desta nova fase
do Brasil, 322 mil trabalhadoras rurais receberam crédito através do
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar aumentando o
acesso das mulheres ao crédito rural em 200%. A desnutrição diminuiu
67%; a mortalidade infantil baixou em 7,3%.
Unidade cada vez
maior entre os trabalhadores, os empresários nacionais e o Estado
precisam ser caluniadas e chantageadas. O golpismo cria toda semana
algum motivo para tentar enfraquecer governos democráticamente eleitos
para representar esta decisão de povos como o brasileiro, os argentinos,
os bolivianos, os venezuelanos de conquistar para a sua pátria o
desenvolvimento soberano a que tem direito. Mulheres como Dilma Rouseef,
Cristina Kirchner e Michele Bachelet tem sido dignas defensoras dos
interesses da maioria e motivo de orgulho para a população e
especialmente para as mulheres de seus países.
A verdade prevalecerá.
Nossa luta se agiganta cada vez mais. Romperá as amarras da mentira que
encobre o especulador parasita e seu imperialismo decrépito. O
Desenvolvimento florescerá proporcionando a justiça social que a maioria
almeja.
Confederação das
Mulheres do Brasil |