Nota enviada para a Camara dos Deputados do Brasil.

A indústria farmacêutica internacional  e os lucros com o vírus da gripe H1N1

O Ministro da Saúde, Dr. José Gomes Temporão, defendeu a decisão brasileira de exigir que o acesso ao medicamento Tamiflu ocorra com a apresentação da receita médica. Algumas pessoas vêm defendendo a banalização do uso do antiviral com a  distribuição sem controle sem se preocupar com o estímulo à automedicação e consequente resistência ao vírus. No Canadá, as dificuldades em conter a Gripe H1N1, a resistência do vírus ao TAMIFLU aumentou com o uso generalizado o remédio. Aumentaram também as mortes e os lucros dos possuidores da patente do remédio. Não ceder às pressões irresponsáveis de setores da mídia e observar com rigor as regras do Ministério da Saúde para o tratamento da doença é ter compromisso com a vida de milhões de brasileiros e brasileiras. Apoiamos tais medidas.

 A CMB repudia o lobby da indústria farmacêutica internacional, multinacionais que atuam sem o menor pudor para que cidadãos e governos utilizem intensamente os seus produtos; lobby esse que se faz acompanhar de maciça propaganda  anti-ética e irresponsável que induz à automedicação utilizando-se do medo das pessoas. No caso do Tamiflu, o principal acionista de Gilead Sciences, empresa de biotecnologia que patenteou o Tamiflu, é Donald Rumsfeld, ex-chefe do Pentágono durante o governo de George Bush filho. Há vinte anos que ele é diretor do laboratório Gilead Sciences Incorporations e tornou um dos homens mais ricos do governo Bush depois que o Pentágono comprou dezenas de milhões de doses do remédio do laboratório para medicar preventivamente as tropas do exército ianque nas invasões do Iraque e Afeganistão, em 2005. Com essas vendas a Gilead Sciences, que fica com 22% das vendas da Roche por meio de royalties, embolsou 1 bilhão de  dólares, segundo a CNN.

 Sabemos também que a indústria farmacêutica multinacional gasta muito mais em marketing do que em pesquisas (estima-se em 35% do total de suas receitas). Como estratégia cada vez mais usual, buscam em campanhas milionárias estimular o consumo com apelos onde há um desrespeito absoluto ao cidadão que, inclusive em situações como a que vivemos, é bombardeado por propaganda sobre remédios contra a gripe, dor de cabeça, num oportunismo irresponsável.

Queremos o aumento dos investimentos e apoio às pesquisas nacionais e o reconhecimento cada vez maior da competência da Fiocruz, do Farmanguinhos e de empresas nacionais que tem suportado os  preços e práticas de monopólio entre elas oferecer salários altíssimos aos técnicos formados nas Universidades brasileiras e a biopirataria de nossa flora e fauna

 Precisamos desenvolver a industria nacional farmacêutica acabando de vez com o desmantelamento executado pelo neoliberalismo dos anos 90. Independência e soberania nesta área significa ter capacidade de proteger o povo que é uma das principais riquezas de um país.

 Com confiança no Brasil poderemos enfrentar  essas situações com medicamentos e vacinas produzidas em nosso país sem submeter a saúde a preços achacadores para os cofres públicos e as mortes que poderiam ser evitadas. Apoiamos as iniciativas e negociações do governo para comprar  a vacina contra o vírus H1N1 causador da gripe suína e queremos aumentar a prevenção também aumentando a produção da vacina nos laboratórios nacionais e a conseqüente vacinação de todos com o principio de atendimento universal estabelecido em nosso SUS- Sistema Universal de Saúde. O Brasil tem tradição em ações desta magnitude. Descobrimos remédios e vacinas; realizamos memoráveis campanhas e criativas iniciativas que contiveram graves doenças e são referência para outros países. 

 As mulheres brasileiras são as principais cuidadoras da saúde da família em seu dia a dia. Ficamos nas filas e viramos noite cuidando e apoiando nossos doentes sejam eles, filhos (as), netos (as), sobrinhos (as), maridos, etc. Exigimos seriedade e compromisso com a vida!

 Confederação das Mulheres do Brasil

Brasília, 13 de agosto de 2009  

 


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