A luta da humanidade para avançar sobre as dificuldades que se apresentaram durante milhares de anos e se apresentam até os dias de hoje foi e será uma saga de riqueza intensa expressa na história cultural, social e econômica dos povos.

Para a sobrevivência, reprodução, progresso e desenvolvimento, homens e mulheres enfrentaram e ainda enfrentam grandes obstáculos.

Há cerca de quarenta mil anos, quando os primeiros grupos propriamente humanos surgiram sobre a Terra, na luta pela sobrevivência o homem precisou pensar e reprimir seus impulsos hostis naturais em relação ao seu rival para permitir que houvesse uma associação. Foi necessário conter sua agressividade para se associar com outros homens, crescer a coletividade para poder superar os desafios da natureza, surgindo a consciência humana de juntar forças e vencer dificuldades maiores.

A soma de forças entre concorrentes pela defesa do interesse comum: a dominação e derrota das forças inimigas para garantir a sobrevivência e continuidade da espécie humana, trouxe como conseqüência a união entre os homens.

A criação desta atitude de união capacita a humanidade para pensar e encontrar respostas e dar seus primeiros passos para o desenvolvimento. A partir daí, a busca pela conquista da sobrevivência se torna a superação diária de desafios, garantida com o desenvolvimento da inteligência que lhe faz encontrar o fogo, descobrir que pedras podem ser transformadas em armas afiadas, que materiais da própria natureza podem ser transformados em abrigos seguros, proporcionando-lhe fixar-se em territórios e com climas menos inóspitos.

Os primeiros grupos da espécie humana eram nômades (não se fixavam em territórios) e viviam sob um regime social chamado de comunidade primitiva. Nesta forma de organização social não havia propriedade privada de nenhum bem. As atividades eram comuns e seus resultados partilhados igualmente. Neste comunismo primitivo a diferença social entre homens e mulheres quase não existia, apenas a repartição de atividades entre caçadores (homens) e preparo dos alimentos (mulheres).

A força (física) de vários homens somados, aliada às armas rudimentares era determinante para a caça e pesca dos alimentos necessários para todos.

 

 


 

A comunidade primitiva perdurou por mais de trinta mil anos, até que no seu interior nasceram os elementos responsáveis por sua dissolução: a domesticação dos animais e o surgimento da agricultura. Os homens começaram a se fixar em territórios, as mulheres passaram a não mais acompanhar o grupo no enfrentamento com os animais e também a fixaremse com os filhos para melhor protegê-los, enquanto os homens saiam para vencer os perigos e trazer a caça e a pesca. Couberam às mulheres duas novas tarefas: a domesticação dos animais, dos espécimes que se aproximavam dos abrigos e o início da agricultura, devido à necessidade de produzirem alimentos nas proximidades, enquanto aguardavam o retorno do restante do grupo.

A ação do homem sobre a natureza resultou em importantes transformações nestas comunidades. O resultado da caça somado à produção agrícola e domesticação dos animais permitiu a produção de bens que ultrapassavam as necessidades imediatas de sobrevivência. Surge o excedente, e com este a propriedade privada.

As riquezas acumuladas pela domesticação e criação de animais passa a pertencer às gens. (estrutura familiar de laços consangüíneos); Os rebanhos passam a ser propriedade particular e os "chefes" das famílias os seus proprietários.

Com o surgimento da propriedade privada, o homem necessitava ter segurança de quais crianças seriam seus filhos e teriam direito ao excedente em alimentos e animais domésticos que conseguisse produzir.

 

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