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DECLARAÇÃO DAS
MULHERES DO CONE SUL
Nós,
mulheres trabalhadoras do Cone Sul da América, reunidas durantes
os dias 1 e 2 de julho de 2009 na primeira Conferência Sindical
Regional de Gênero, na cidade de Assunção reafirmamos o
compromisso de luta da Comissão de Mulheres da Coordenadora das
Centrais Sindicais do Cone Sul com a melhoria das condições de
vida e trabalho das mulheres trabalhadoras da região.
Esta
Conferência é parte de um processo que a Comissão de Mulheres
vem construindo faz alguns anos, e que se aprofundou com a
realização do 8 de março regional na fronteira de Uruguai e
Brasil. Desde este momento a Comissão já trazia a necessidade de
se preservar condições de vida dignas para homens e mulheres.
Frente a atual crise capitalista, reafirmamos nosso compromisso
de luta enquanto classe para assegurar que os custos da mesma
não recaiam sobre as trabalhadoras e trabalhadores. E é neste
contexto que defendemos específicamente as mulheres e jovens,
que tem sido históricamente os que tem suportado o maior peso
das crises, além de serem as principais vitimas do desemprego,
da precarização e da vulnerabilidade social. É imprescindível a
construção de outro modelo econômico baseado na solidariedade e
na distribução da renda, que reconheça o valor do trabalho de
homens e mulheres, e que promova um desenvolvimento justo e
sustentável.
Tendo
como base estes princípios DECLARAMOS:
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Condenamos o golpe militar que está ocorrendo em nossa
República irmã de Honduras. Reclamamos que é preciso
garantir a vida e a integridade física de todos/as cidadãos
e cidadãs hondurenhos/as e que se restitua o Estado de
Direito com a plena vigencia das instituições democráticas.
Declarando nossa total solidariedade com as trabalhadoras e
com os trabalhadores de Honduras, as trabalhadoras do Cone
Sul dizemos NÃO ao terrorismo de Estado.
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A
diferença nos salários é um dos aspectos mais visíveis da
discriminação que sofrem as mulheres cujo trabalho não é
valorizado económicamente igualmente ao dos homens, situação
que significa, para as mulheres, a dependência da renda
masculina, e na maioria das vezes, viver na pobreza.
Precisamos mudar esta realidade acabando com a diferença
salarial entre homens e mulheres, que em nossos países é de
mais de 30%.
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Exigimos o Pleno reconhecimento da formação e da capacidade
das mulheres, a valorização de seu trabalho e salarios
dignos para homens e mulheres.
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Exigimos de todos os Governos a ratificação e aplicação da
Convenção Nº 100 da OIT, sobre igualdade de remuneração
entre homens e mulheres para trabalho de igual valor.
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Frente aos impactos que a crise financeira está trazendo
para a classe trabalhadora reivindicamos com mais força o
reconhecimento e a garantía do direito ao trabalho e a
necessidade de adoção de medidas de geração de emprego digno
por parte de nossos Países.
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A redução da jornada de trabalho é uma luta
que beneficiará toda a clase trabalhadora. As mulheres
poderão ser ainda mais beneficiadas se levarmos em conta a
partir da redução da jornada
mais pessoas poderão ser incorporadas ao mercado de trabalho
formal, o que certamente diminuiria os altos índices de
desemprego e informalidade entre as mulheres e jovens. Além
disso, todos/as terão tempo livre para ser utilizado em
benefício próprio, o que pode conferir às mulheres a
possibilidade de utilizá-lo na construção de sua autonomia.
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Reconhecemos a importância do trabalho realizado dentro de
casa como fundamental para a sustentabilidade da vida
humana. Queremos que esse trabalho, que em sua quase total
maioria é realizado por mulheres, seja reconhecido,
valorizado economicamente, e contabilizado como parte da
jornada de trabalho.
Exigimos dos Países políticas públicas que
conciliem a atividade laboral com a familiar e de
responsabilidades familiares compartilhadas (lei de
responsabilidades familiares compartidas).
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