Em Portugal, mulheres ainda ganham até 30,5% menos que os homens

Apesar de estarem mais escolarizadas e com maior participação na geração de riqueza do país, as mulheres portuguesas ainda sofrem com a discriminação nos salários e são maioria entre os desempregados. Essa é a conclusão do estudo realizado pelo economista Eugénio Rosa para a V Conferencia sobre "Igualdade entre Mulheres e Homens", da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN), realizada no dia 22 de maio, em Lisboa.

“Entre 2001 e 2008, a participação da mulher na criação de riqueza em Portugal, medida através do emprego, aumentou de 45% da população empregada para 46,2%”, diz Rosa. Mas, de acordo com o economista, “apesar das mulheres representarem ainda menos de metade quer da população ativa (46,8% em 2008) quer da população empregada (46,2% em 2008), o desemprego feminino correspondia, em 2008, a 54,5% do desemprego total”.

No que diz respeito aos salários, quanto mais escolarizadas, maior é a diferença, continua Eugénio Rosa. Segundo dados dos quadros de pessoal divulgados recentemente pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, em 2007, o ganho médio das mulheres era inferior em 30,5% ao dos homens que ocupavam cargos de “quadros superiores”, em 19,5% nos “quadros médios”, em 16,0% entre os “profissionais altamente qualificados”, em 15,7% entre os "profissionais qualificados". Entre os “praticantes e aprendizes” a diferença foi de 19,8%, com prejuízo para as mulheres. “Portanto, a desigualdade de ganhos é tanto maior quanto mais elevada é a qualificação da mulher”, afirma o estudo.

 V Conferência

 Os cerca de 400 delegados sindicalistas que participaram da V Conferencia sobre "Igualdade entre Mulheres e Homens", promovida pela CGTP-IN, no dia 22 de maio, em Lisboa, denunciaram que a discriminação das mulheres no trabalho acentuou-se em Portugal nos últimos quatro anos, sob o governo de José Sócrates, com o aumento da precariedade, dificuldade no acesso a cargos de chefia, com represálias patronais sobre as trabalhadoras que engravidam, e até mais racismo e xenofobia nas empresas.

A Comissão para a Igualdade da CGTP considerou que a crise agravou ainda mais a situação das mulheres que só será resolvida com medidas que defendam o emprego sem precariedade, melhores salários e ajudem a combater a discriminação entre homens e mulheres.

Fonte: CGTP-IN


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